Quando alguém pensa no Sicredi deve imediatamente imaginar tratar-se apenas de uma cooperativa de crédito. Sim, ela é. Mas não simplesmente uma cooperativa de crédito comum, a Sicredi através de suas Centrais Regionais e Centrais Singulares, como a Sicredi Origens RS, tem em seus objetivos principais fazer com o que os seus associados, de fato, cresçam em seus negócios e participem diretamente das decisões da instituição.
Ok, ainda sigo relatando aquilo que a grande maioria já conhece, a partir de instantes, antes de contextualizar tudo o que irei trazer aqui é um exemplo para uma sociedade tão carente da iniciativa privada em um país que em muitos momentos esquece de quem jamais deveria: As pessoas.
Nos dias 14, 15 e 16 de outubro, pela segunda vez, tive a honra de participar do Encontro Nacional de Jornalistas e Formadores de Opinião do Sicredi atendendo ao convite da Sicredi Origens RS, onde tenho a honra de ser associado. Com muito orgulho carrego o Sicredi comigo em meus programas de rádio e televisão, e ainda, faço questão de mostrar no meu dia a dia como a instituição faz a diferença em pequenas e grandes ações.
Durante estes três dias estive com colegas de mais 17 estados brasileiros conhecendo a fundo as iniciativas, projetos, cases e produtos que o Sicredi tem buscado disponibilizar para todos os associados, assim como futuros cooperativas da instituição.
As imersões em Nova Petrópolis, capital nacional do cooperativismo permitiram conhecermos a fundo o seu fundador Padre jesuíta Theodor Amstad, nascido na Suíça em 1851 e radicado no Brasil a partir de 1885. Com apenas uma mala, cheio de sonhos e a certeza que não mais voltaria representa todo o compromisso e o abnegado sonho de recomeçar em terras brasileiras. Ele é reconhecido oficialmente como o Patrono do Cooperativismo Brasileiro. Ele reuniu 20 pequenos agricultores e líderes locais em Nova Petrópolis (RS) no dia 28 de dezembro de 1902 para criar a Caixa de Economia e Empréstimos Amstad, que hoje é a Sicredi Pioneira, que também foi visitada pela nossa delegação, como a primeira cooperativa de crédito da América Latina.
Entre visitas a empresários locais de sucesso, todos eles associados Sicredi, a concretização do sucesso da parceria entre o empreendedor e a instituição.
Fato é que cada vez que mergulhamos e conhecemos mais como que tudo isso nasceu, entendemos a essência do que representa e do que pratica o Sicredi, entretanto, o que mais fascina e serve de inspiração em fazer parte de todo esse universo é a preocupação além do cooperativismo empresarial, linhas de crédito, cartões, financiamentos, seguros e todo um enorme cardápio de oportunidades, e sim, o compromisso social. E foi justamente este aspecto que fez com que lágrimas tenham percorrido meu rosto ainda no primeiro dia do encontro ainda em Porto Alegre, no CAS (Centro Administrativo Sicredi).
Me refiro ao Espaço de Educação Financeira Sicredi. Fruto de uma parceria entre Fundação Sicredi e a Maurício de Sousa Produções, ele potencializa aprendizagens sobre o tema de forma lúdica em ações reais do dia a dia de crianças de escolas de regiões mais carentes da Capital do estado do Rio Grande do Sul juntamente com personagens da inesquecível e lendária Turma da Mônica.
O aprendizado é evidente. As crianças realizam uma imersão no mundo real dos adultos sendo quem elas são e administrando compras, saques, depósitos e vivenciando pequenos jogos onde as escolhas realizadas frente a opções de compras elas terão justamentre que aprender a escolher o que é prioridade, o que não é, o que é de fato importante adquirir e o que fica para uma oportunidade futura dentro da realidade econômica que uma vida adulta impõe.
Eu, particularmente, em meus espaços seja no rádio, na televisão, na mídia impressa ou na internet sempre defendo que a educação financeira deveria estar presente sempre, desde os primeiros anos de escola, e prosseguir ao passar dos anos, uma vez que nossas exigências, compromissos, sonhos e objetivos vão alterando-se conforme nossa vida também avança. Novos sonhos são estabelecidos a partir de uma nova etapa que nossas vidas impõem.
Minha emoção ao vivenciar ao espaço talvez tenha ligação com o que escrevi em meu 2º livro, o Fábrica de Sonhos, onde faço um relato já na introdução sobre este aspecto: Sonhos da vida.
Em uma conversa com um querido e amado tio, quando eu tinha os meus 15-16 anos, divagamos sobre os objetivos de uma vida a cada etapa ultrapassada, os meus e os dele, à epoca, com 40 anos. Os meus eram o carro aos 18 anos, conseguir um bom trabalho, comprar um apartamento, viajar era algo mais distante, mas era sonho. Ele aos 40, já com tudo aquilo que eu sonhava, dizia ainda estar sonhando, agora com a casa na praia, a casa do sítio, um carro maior, mais conforto, conhecer mais lugares deste planeta, enfim, somos de fato uma fábrica de sonhos, sempre querendo buscar algo a mais em nossas vidas, os sonhos nos movem, buscá-los e realizá-los, a sensação que vencemos em nossas vidas. Enfim…
Voltando ao Espaço de Educação Financeira do Sicredi: Ao final desta imersão as crianças visitantes deparam-se com uma árvore dos sonhos. Em um “post-it” cada criança deixa ali, na Àrvore do Sonhos, aquilo que mais gostaria de conquistar na vida. Claro, a ideia principal seria elas estabeleceram metas financeiras, uma formação, um bem material, algo que realmente nós podemos comprar a partir de uma educação financeira bem estruturada.
Parei para ler estes sonhos da ‘Árvore dos Sonhos’.

Sem identificação, os sonhos são muito mais que bem duráveis. São sonhos de crianças entre 8 e 10 anos que mexem com a sensibilidade de qualquer um:
“Eu quero que meu pai saia da prisão”!

“Meu sonho é viver tudo o que pedi a Deus!”

“Não ter depressão!”

“Trabalhar no Sicredi e ter minha festa de 15 anos!”

“Meu sonho é ter manteiga e queijo!”

“Meu sonho é ser enfermeira e ajudar muitas pessoas!”

“No futuro eu quero ganhar uma bola de couro!”

“Eu vou economizar para ir para o Hawaí como economizei para o passeio de hoje. Vou poupar para o meu sonho!”

“Meu sonho é que meu pai não esteja mentindo porque quero muito o cachorro Collie!”

“Meu sonho é crescer e ter condições de dar um carro para a minhã mãe!”

“Quero que não exista mais bullying!”

“Eu quero ser popular!”

Estas foram apenas algumas das mensagens que entre centenas consegui registrar e que me fizeram refletir.
Conversando com as profissionais que recepcionam os alunos e alunas das escolas, o relato é que a cada “sonho” mais complexo que extrapolam os desejos mais comuns, as professoras que acompanham as turmas são chamadas, recebem a mensagem e levam para o ambiente escolar e familiar para a partir delas entenderem determinados comportamentos e junto a assistência social das escolas e comunidades auxiliar estas crianças a superarem adversidades inimagináveis para a grande maioria.
Casos de bullyng, abusos em casa, carências de atenção, necessidades extremas de alimentação, criação de sentimentos reais de economia, crianças de fato criando seus objetivos profissionais para o futuro visando criar melhores condições de vida e de suas famílias, enfim, a criação atráves de uma visita ao um espaço de educação financeira objetivamente ajudando não só o sistema educacional, mas também o social da cidade, do estado e do país.
Aprendi que cada pessoa é o que é devido a sua experiência de vida e faz o melhor que pode dentro do contexto que está inserido, e isso confirma-se nesta ação espetacular do Espaço de Educação Financeira do Sicredi e superando o objetivo inicial, não menos importante, de ensinar a complexidade de aprender a lidar com o dinheiro e o consumo.

Ao incentivar nestas mensagens sonhos tão simples, como uma bola de couro, ou manteiga e queijo em uma mesa, um sonho de não sofrer depressão (um grande número de pessoas acabam justamente atingindo este mal devido a problemas financeiros!), um desejo de trabalhar no Sicredi por si só já mostra a importância da criança alimentar o sonho de dignidade.
Cada mensagem lida revela uma série de situações que nos remetem também em valorizar objetivos tão simples que passam despercebidos para quem os tem todos os dias. Até mesmo neste fator, o Sicredi demonstra muito mais o que certamente buscou. Além de fortalecer o cooperativismo a instituição alcança um poder de poucas empresas: De forma simples e genuína o Sicredi revela um serviço de assistência social de resultados positivos imensuráveis para sociedade a partir de crianças estudantes que vivem realidades bem diferentes do que a maioria, e mais, tornando-as capacitadas de um poder único: De sonhar sabendo como realizar a partir de um “simples”, entretanto complexo, Espaço de Educação Financeira. O Sicredi consegue chegar muito além do cooperativismo, com 123 anos de história, a instituição é motivo de orgulho por tudo o que realiza com própositos que superam tudo o que seu fundador talvez tenha um dia sonhado: Fazer a diferença, de fato, em pessoas que jamais um dia imaginou impactar. Tudo o que pude perceber e relatar mostra que o Sicredi realiza algo muito grande: Que todo e qualquer sonho, independentemente de quem você seja ou a condição que se encontra não só é possível, como real! Uma frase clichê que ouvimos há muitos anos é que “um sonho sonhado sozinho é só um sonho. Um sonho sonhado com alguém, o Sicredi neste caso, é realidade!”
Sicredi, muito além do Cooperativismo! Dignidade! Vidas impactadas! Um país cada dia melhor!
O Brasil tem jeito. A sociedade quer. O Sicredi está aí para ajudar!
Honra enorme poder de uma forma mínima poder fazer parte de tudo isso!
Localizado no Centro Administrativo Sicredi (Av. Assis Brasil, 3.940, Jardim Lindoia). Funciona de segunda a sexta-feira, das 8h30 às 17h, com entrada gratuita mediante agendamento prévio pelo e-mail espaco_edfinanceira@sicredi.com.br.
Além de Porto Alegre, Macéio e Gramado também contam com os espaços à disposição da comunidade local e visitantes.
Fabiano Brasil/Jornalista


